Castas
CASTAS
Sercial
O Sercial é uma casta branca que terá origem na região de Bucelas, perto de Lisboa, onde é tradicionalmente cultivada sob a designação de Esgana-Cão. Terá sido posteriormente introduzida na Madeira, onde passou a ser conhecida como Sercial.
Os cachos de Sercial são de tamanho médio, com película fina, sendo as bagas suscetíveis ao apodrecimento. Trata-se de uma casta de maturação muito tardia, resistente ao oídio e ao míldio, sendo normalmente a última a ser vindimada. Esta maturação lenta, resultante do terroir onde é cultivada, origina vinhos que raramente ultrapassam os 11% de álcool antes da fortificação.
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Lado norte e sul da ilha.
Na Madeira, o Sercial é cultivado tanto na vertente norte como na vertente sul da ilha. -
No sul, encontra-se em altitudes elevadas, nomeadamente no Jardim da Serra, acima do Estreito de Câmara de Lobos, entre os 600 e os 800 metros.
No norte, está presente nas zonas do Porto Moniz, São Vicente e Seixal, a altitudes mais baixas, entre os 150 e os 200 metros.
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No Vinho Madeira, o Sercial distingue-se pela sua acidez natural intensa, viva e cortante, equilibrada por uma ligeira doçura.
É, por isso, sempre utilizado na produção de vinhos secos, de corpo leve e excecional frescura, com aromas intensos e vibrantes.
Inicialmente de cor pálida, o Sercial aprofunda e escurece ao longo do tempo, evoluindo para tons âmbar.
Verdelho
Esta casta exige solos profundos com algum grau de humidade. Tem baixos rendimentos por hectare e maturação precoce. As uvas são geralmente vindimadas no final de setembro, dando origem a vinhos elegantes, meio secos, de cor dourada, com um caráter tropical e exótico.
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Lado norte e sul da ilha.
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Na Madeira, o Verdelho é cultivado tanto na vertente norte como na vertente sul da ilha.
Atualmente, é a casta branca com maior área plantada na Madeira especialmente na costa norte, em vinhas localizadas na Ponta Delgada e São Vicente, a altitudes até 100 metros.
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Na costa sul, encontra-se a altitudes superiores a 400 metros, nos Prazeres e Câmara de Lobos. A casta produz cachos pequenos e compactos, com poucas bagas. O mosto apresenta níveis moderados de açúcar e acidez marcante.
No Vinho Madeira, o Verdelho é sempre vinificado para produzir vinhos fortificados meio secos, de corpo elegante e frescura característica.
Terrantez
Rara, a uva Terrantez é branca, de pele fina e extremamente delicada. Os cachos compactos e as bagas tornam-na suscetível à botrytis e ao rachamento. Os rendimentos são muito baixos e a maturação tardia.
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Lado sul da ilha.
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Na Madeira, o Terrantez é cultivado na vertente sul da ilha, sobretudo na Calheta, Câmara de Lobos e Funchal. Trata-se de uma casta de maturação precoce, caracterizada por cachos pequenos, cilíndrico-conicos e compactos.
As bagas são redondas, pequenas e de cor amarelo-esverdeada, com película fina. O Terrantez é utilizado na produção de vinhos Madeira meio secos e meio doces.
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Devido à sua natureza frágil, foi progressivamente substituído por castas mais produtivas e esteve quase em risco de extinção. Recentemente, a família conseguiu incentivar os produtores a recuperar os níveis de produção, tornando qualquer Madeira Terrantez suficientemente raro para merecer ser provado.
Bual
Trata-se de uma casta bastante vigorosa e relativamente fácil de cultivar, apenas moderadamente suscetível ao oídio e à podridão por botrytis. Possui brotação tardia, o que a protege em parte do risco de geadas primaveris. Os cachos são grandes e amadurecem cedo.
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Lado sul da ilha.
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Na Madeira, o Bual é cultivado principalmente na vertente sul da ilha. Prefere a costa sul, mais quente e solarenga, não se adaptando bem à vertente norte, mais fresca e húmida.
Os melhores vinhos provêm de pequenas parcelas (poios) no Campanário, Calheta, Arco de Calheta e Ponta do Pargo, a oeste do Funchal, a altitudes entre 100 e 300 metros acima do nível do mar.
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No Vinho Madeira, graças à sua acidez equilibrada que contrasta com a doçura, o Bual produz vinhos meio encorpados, de cor cobre clara, meio doces, intensamente perfumados, ricos em especiarias e frutos secos, e de notável longevidade.
Malvasia
As uvas são doces e produzem vinhos ricos, encorpados e de cor escura. No paladar, o bouquet revela notas de especiarias e mel. Não existe qualquer relação com a Malvasia Cândida, introduzida na Madeira no século XV, da qual restam atualmente apenas 3 hectares, cultivados exclusivamente na costa sul.
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Lado Norte da Ilha.
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Na Madeira, a maior parte da Malvasia é da casta conhecida por Malvasia Branca de São Jorge, uma casta branca introduzida tão recentemente como na década de 1970, na freguesia de São Jorge, no concelho de Santana, na vertente norte da ilha, a altitudes baixas (150–200 metros). Os cachos são grandes, cónicos, com brotação precoce e maturação tardia, sendo a primeira casta a ser colhida.
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Um vinho Malvasia jovem apresenta cor dourada clara, enquanto os vinhos mais antigos desenvolvem tonalidades âmbar escuras. No paladar, são vinhos ricos, suaves e aveludados, revelando notas complexas de moka, frutos secos e mel, com nuances de fruta tropical, butterscotch, toffee-nuts e marmelada.
Tinta Negra
Versátil e produtiva, representa cerca de 80% da produção da ilha, sendo utilizada predominantemente na elaboração de vinhos de 3 anos, embora não exclusivamente.
Na Madeira, a Tinta Negra é cultivada tanto na vertente norte como na vertente sul da ilha. Consoante a altitude, a humidade, a região e a exposição solar, as uvas podem originar vinhos mais ricos ou mais secos. Esta casta é suficientemente diversa para permitir a produção de qualquer um dos quatro estilos de Vinho Madeira.
